Eu estava pensando hoje sobre ônibus. Mais precisamente sobre viagens de ônibus. Hoje eu vim de Torres para Porto Alegre através desse meio de transporte que, horas antes de sair de casa minha prima disse achar péssimo viajar, eu discordo, acho ótimo viajar de ônibus. E, durante a viagem, eu vim pensando um pouco sobre isso. São diversas pessoas completamente diferentes uma das outras, ou talvez nem tanto, talvez até sejam muito parecidas, dividindo o mesmo espaço a fim de chegar ao mesmo lugar. Minha cabeça vinha cheia das idéias, das lembranças, de filosofias, sorrisos e planos, o que será que todas aquelas outras pessoas estariam pensando no mesmo momento que eu, enquanto pedaços da estrada iam ficando para trás? Me chamou atenção um garotinho que vinha sentado atrás de mim, não sei se a mulher ao lado dele era sua mãe, ou sua vó ou uma tia, não vi quem era, nem idade nem nada, só sei que era uma mulher. Pela voz eu percebi que era um garoto pequeno, depois olhei rapidamente para ele quando ele se dirigiu ao banheiro. Durante toda a viagem ele veio batendo papo, alegre como a maioria das crianças, falante e extremamente curioso, uma pergunta atrás da outra. E, a mulher, atenciosa e carinhosamente respondia a tudo. A maioria das coisas eu não prestei atenção alguma, pois vinha escutando música e escutando os pensamentos dentro da minha cabeça. Todo caso, ouvi uma das perguntas do garoto no instante em que estávamos chegando na cidade. As luzes do ônibus acenderam em cima das poltronas e ele perguntou: “Por que acenderam as luzinhas? Quando acendem as luzinhas é porque chegamos, né?”. No mesmo momento eu pensei milhares de coisas, no início achei meio besta, mas depois achei inteligente, é uma boa conclusão para um rapaz tão pequeno. Depois fiquei pensando “Nossa! Essa é a primeira viagem desse garoto, deve ter sido uma boa experiência para ele”. Eu não lembro da primeira vez que viajei de ônibus, mas sei que, da maioria das viagens que fiz de ônibus tenho ótimas recordações, até mesmo daquelas que deram um monte de encrencas e confusões, todas são muito bem lembradas por mim. Aliás, eu sempre gostei muito de andar de ônibus até mesmo na cidade. Confesso que, agora, depois de um ano tendo o meu carro, depender de ônibus às vezes é meio chato, mas, de vez em quando eu bem que gosto de dar umas passeadas pela cidade junto da galera, sentada bem no fundo, poltrona do lado da janela, observando todo mundo que entra, todo mundo que sai, ouvindo música e olhando a rua. Foi então que, no meio da viagem hoje, eu me dei conta de outra coisa. Entre meus pensamentos e cantorias eu revisei os meus planos de futuro próximo e, de repente, percebi uma realidade que para mim, provavelmente será bastante presente daqui para frente: a tal questão das chegadas e partidas. De repente eu percebi que a vida é mesmo assim, repleta de chegadas e partidas. “Tem dias que eu fico pensando na vida e sinceramente não vejo saída. Como é, por exemplo que dá pra entender, a gente mal nasce e começa a morrer. Depois da chegada vem sempre a partida porque não há nada sem separação. Sei lá. Sei lá...” A música, se já não diz tudo, já diz muito. Sei lá. Sei lá. A verdade é que eu me deparei com essa questão da chegada e partida. Percebi que estamos sempre entre chegadas e partidas, aquelas básicas, como sair de casa para trabalhar e depois voltar só no final do dia e também aquelas partidas sem chegada prevista, como uma viagem para estudar no exterior. Daí eu fiquei imaginando quantas daquelas pessoas dentro do ônibus estariam deixando alguém na praia ou então, quantas estariam ansiosas para encontrar alguém em Porto Alegre. Eu sei que parece meio estranho de minha parte estar supondo o que se passa na cabeça das outras pessoas que estão viajando comigo no ônibus, mas é que, na verdade, tudo começou com o fato de eu ter ficado com a frase da minha prima na cabeça. Quando ela disse que era ruim viajar de ônibus, aquilo não fez sentido algum para mim, porque eu acho uma viagem de ônibus a maneira ideal de podermos ter um tempo nosso, para cada um poder pensar, dormir, ler, conversar, fazer nada, enfim, são duas, três, quatro, quarenta e oito horas que você vai estar sentado esperando para chegar ao seu destino. Sei lá. Sei lá. Acho que é um bom momento para repensar as tarefas da semana, para organizar seu cronograma de atividades físicas, para lembrar de outras viagens do passado, para ouvir uma boa música, para lembrar de quem se gosta, para pensar na vida, para sonhar, para olhar a paisagem. Talvez eu esteja mesmo viajando um pouquinho, mas é que, para mim, as duas horas e meia de Torres até aqui foram muito, muito boas, não só para eu poder refletir sobre o que as outras pessoas pensam e bolar essa segunda postagem do blog, mas, principalmente para eu ter um momento com o meu próprio eu. Quando comecei a pensar nessa história de chegadas e partidas eu pude refletir um pouco sobre os meus planos do futuro e aquela idéia toda de botar o pé na estrada e ir atrás dos meus sonhos. Eu pude pensar nas pessoas que eu vou deixar para trás e da falta que elas me farão. Eu pude pensar também no reencontro com essas pessoas e o quanto vai ser especial abraçá-las em cada retorno. Eu pude pensar nas coisas que eu tenho certeza que eu vou gostar de aprender e de fazer. E eu também pude pensar naquelas coisas que eu ainda não tenho bem certeza se quero arriscar aprender. E assim eu fui... Eu viajei longe, as duas horas e meia foram como anos de projetos, de realizações e de histórias. Eu pensei nas coisas que eu quero deixar de fazer, nas coisas que eu quero fazer mais e nas coisas que eu ainda quero aprender e conquistar. Eu fiz uma viagem também ao passado, passei um pente fino no ano de 2009, lembrei dos momentos, das pessoas, dos sorrisos, dos abraços, dos beijos, das sensações, dos filmes no cinema, dos filmes da faculdade, do trabalho, das tristezas, das alegrias, das discussões, das bagunças e do quanto eu me sinto muito melhor do que nos anos anteriores. Eu sorri muito nessa viagem hoje porque eu tenho recordações ótimas do ano que passou e meus planos pro futuro, ainda que sejam bastante incertos e até um tanto quanto amedrontadores, eles também me animam e fazem sorrir. Fiquei pensando que tantas vezes eu fui meio depreciativa diante das coisas da vida e sem motivo algum pra isso. De repente eu me vejo muito, mas muito mais otimista diante dos planos, diante do presente, diante de tudo! De repente eu vejo que eu realmente estou seguindo os meus lemas de vida: Viver o presente. O que tiver que ser será. Etc. Etc. E o melhor de tudo é que eu percebi que eu posso ter errado no caminho, mas eu tenho aprendido muito e eu tenho agido, mesmo que com a mesma intensidade do presente, eu tenho agido muito consciente e depois de muito pensar. De repente eu percebi que eu realmente estou feliz, que eu realmente estou fazendo jus a minha personalidade cômica, animada e sonhadora, eu tô muito bem! Acho que eu tô acertando. Sei lá. Sei lá. Acho que fiquei orgulhosa de mim mesma. Sorri sozinha olhando pela janela do ônibus e foi assim que eu comecei a pensar sobre as pessoas que estavam sentadas nas outras poltronas. “O que será que elas planejaram fazer esse ano?! O que será que essas pessoas estão pensando agora?! Será que todo mundo aqui tem um namorado ou uma namorada? Será que alguém está com algum problema para resolver? Será que alguém está voltando pra cidade porque recebeu uma proposta muito boa?”. Todo mundo sentado separado, um em cada janela, alguns poucos acompanhados, ninguém se falando. Só o garotinho curioso que volta e meia falava mais alto. Será que alguém, assim como eu, também ficou imaginando o que as outras pessoas estavam pensando? Bom, meu antigo psiquiatra me falou uma vez que ninguém fica sem pensar... então, todo mundo estava pensando durante a viagem. Eu acho muito curioso pensar sobre o que as pessoas estavam pensando. Ah! Eu não sou louca, tá? Psiquiatra é coisa do passado todo caso, ao contrário do que muitos dizem, eu não acho que seja coisa pra louco, acho que terapia, seja ela qual for, sempre é uma interessante experiência. E outra, de louco, todo mundo tem um pouco, o negócio é aceitar. Então, talvez eu seja mesmo meio maluca em ficar pensando sobre o que os outros estão pensando... Enfim, o fato é que dentro de um ônibus deve ser sempre um turbilhão de pensamentos, congestionamento de idéias, muitas lembranças e milhares de sonhos. E assim vai seguindo o curso. Pessoas levando. Pessoas trazendo. Bagagens materiais. Bagagens emocionais. Sempre nesse fluxo constante de chegadas e partidas. Talvez eu tenha me perdido em meio a tantos pensamentos meus e suposições de pensamentos alheios, talvez não dê pra entender direito o meu texto. Mas é isso aí mesmo, a minha reflexão, no seu contexto central, era sobre a vida, e a vida é assim, um pouco complicada demais para se entender todas as linhas.
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