Ensaio Book Ana diária 1

Ensaio Book Ana diária 1
31 de outubro de 2012
"I just wanna be free. I just wanna be me."

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um feriadão. Fora de mim.


Ontem depois de um divertido almoço com as meninas da sexta encontrei minha mãe no Mercado Público e fomos para a Feira do Livro de Porto Alegre. Bom... eu tava morrendo de calor, com sede e com muita preguiça de caminhar. Mas, como sempre, gosto muito daquele ambiente – mesmo que eu não seja uma leitora modelo – sei lá, acho inspirador passear por entre tantas histórias, autores, personalidades. Bobagem. talvez. mas verdade. Entretanto, mesmo gostando muito desse passeio todos os anos, preciso dizer que não gostei tanto da feira ontem. Minha mãe também acha o mesmo. A impressão que dava é que todas as bancas tinham os mesmo livros. Vários Best-sellers, alguns poucos livros novos e só. Tudo igual. Poucas novidades. Pouca coisa de arte. Ruim. Todo caso, meu maior objetivo foi cumprido. Comprei o novo livro da Martha Medeiros. Fora de mim. Para quem me conhece, sabe que eu tenho sérios problemas com leitura, não consigo me concentrar para ler. Mas, mais uma vez, a Martha me ganhou. Já comecei a ler o livro ontem mesmo. Estou devorando. Acho impressionante a maneira como ela consegue compor, expor, mostrar a mulher. Nós mulheres. Graças a Deus não estou passando por nada parecido com o que a personagem vive no livro, mas é impossível não entendê-la. A gente entende. Porque a gente sabe como é nossa cabeça maluca de mulher. A gente sabe como a gente sente. A gente sabe como “bate”. A situação da personagem é uma descrição íntima de um dos nossos maiores medos e vergonhas. É o momento que a gente sempre dá um jeito de esconder ou de tentar demonstrar todas as nossas forças. Mas a verdade é que a gente desmorona. A gente sempre perde o chão com o fim de um grande amor. E a Martha soube – ela sempre sabe – falar sobre a gente. Com verdade. Sem falsas máscaras. E, o principal, sem diminuir-nos. Pelo contrário, ela sempre nos engrandece. Ainda bem, porque nós mulheres, somos mesmo muito especiais. – Ok. Chatas muitas vezes. Loucas. Exageradas. Destemperadas. Mas especiais. - Fora de mim. Eu só queria entender porque eu sou assim? Passei o feriadão quase todo fazendo nada. E adivinhem? Estou querendo me matar. Me sinto completamente fora de mim. Mexi meus pauzinhos agora pouco e programei um cinema 3D para mais tarde. O filme. Piranha 3D. Me rendi e decidi achar alguma coisa pra fazer. E, como desculpa, estou dizendo para mim mesma que todo profissional do cinema, principalmente aqueles que querem seguir a linha do terror, devem assistir de tudo, até filmes bizarros como esse. Mas que decadência. Ainda bem que não estou fora de mim como a personagem da Martha, mas o tédio, para mim, pode ser tão – ou mais – perturbador do que o fim de um relacionamento. Agora pouco quase que eu saí na rua. Sei lá. Só pra pegar um sol no rosto. O problema é que o tédio me pegou de jeito e, de repente, eu não tenho forças pra fazer nada, nem pra colocar uma roupa, mesmo que quase nada digna de ser vista pelos outros, preguiça de prender o cabelo, de colocar o tênis. Acho que o insuportável “nada” me contagiou. Vou olhar o tempo passar até a hora do super filme 3D. Ai. Ai. Que medo disso. Já complementei uma idéia de roteiro que tive há algumas madrugas, de repente, surgiram novas situações para mais uma história sinistra de terror que a minha cabeça criou e então já fui escrever pra não esquecer depois. – sim, minha cabeça continua maquinando milhares de idéias de roteiro por segundo. E, eu diria que... hm.. 90% delas são de terror. Acho que não tem mais volta. – Achei meu caderninho antigo de anotações e complementei uma outra idéia de roteiro com novos personagens – sim, eu vejo pessoas nas ruas e vou construindo personagens. Lembrei de dois e escrevi ali. É.. ninguém está livre de ser um personagem de filme. – Escutei o Acústico MTV Marina Lima, sei lá, umas 3 ou 4 vezes. Pensei em algumas coisas para o figurino do filme que vou trabalhar. Hm. Talvez fosse bom eu pensar melhor em ir pegar um solzinho no rosto. Por que eu sou assim? Será que não dava pra eu ser normal e curtir um dia fazendo nada?? Às vezes me irrita essa minha inquietude. Nem quando eu estou cansada – porque eu ando assim – eu consigo relaxar. Minha cabeça é uma máquina. Isso é coisa de mulher. E a Martha exemplifica bem nas atitudes e pensamentos malucos da personagem fora de si do novo livro. Perigoso isso. A gente gosta de ficar sozinhas, mas estamos sempre acompanhadas de um batalhão de pensamentos quase sempre perturbadores, mesmo quando são bons pensamentos. Eu até que curto ficar sozinha aqui em casa. Mas, se fosse pra sair e pegar esse sol no rosto, acho que preferia estar acompanhada.
“Quando a tarde cai. Eu penso em você.” “E aí só. Nos resta inventar. A lua e o mar. Pra nos refletir.”
Quando não se tem o que fazer a tendência é nos atirarmos em meio a muitos pensamentos e isso, às vezes, pode ser pior do que simplesmente arranjar alguma coisa – mesmo que inútil – para se fazer. A personagem da Martha enlouquece e comete os maiores delírios, idiotices, simples e vergonhosos medos de todas nós. E, pior, comete todos. Ali. Sozinha em sua casa. Quando ninguém está vendo. Complexa a história que ela nos apresenta. Complexa mas que, com certeza, todas entenderão. Porque fala da gente e, mesmo que escondamos esses demônios, eles estão ali e, sozinhas lendo o livro, a gente acaba se identificando com muitas – ou todas – as linhas ali escritas.
“Coerência é o fantasma das mentes pequenas.” Já dizia Woody Allen que me conforta toda vez que releio essa frase. Às vezes me falta coerência tomara que isso signifique que tenho uma mente grande. Mesmo que não tenha, a gente vai tentando. “Eu aprendi vivendo...”
Entre Martha Medeiros, Marina Lima e Woody Allen vou finalizando esse post do dia dos finados deixando luz, amor e orações para aqueles que já nos deixaram. Saudosos sentimentos ficam aqui no peito. Mas a vida segue e vamos em frente. Tentando não enlouquecer – muito – em meio aos nossos pensamentos.
Beijos e bom resto de feriadão.
Ainda bem que amanhã tem trabalho! Rsrs.
Pam


Preciso abrir um parênteses aqui pra dizer que o meu sábado foi maravilhoso!! Um dia fora de mim no maior – e melhor – estilo! Inesquecivelmente especial – digno de repetição (hehe) – maravilhoso desde o primeiro até o último segundo. Só um plus que precisava ser dito. Agora eu fui... até a próxima! Volto pra falar sobre o super Piranha 3D e, quando acabar de ler o livro da Martha, dou um parecer final. Bjs!

Um comentário:

  1. Eu sabia que havia um motivo para eu estar tão fora de mim hoje. Tão agoniada. Tão inquieta. Tô com o coração na boca. Mas vai dar tudo certo. Eu sei que vai. E eu estarei aqui pro que der e vier. sempre!

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