“...deixo sangrar. algumas lágrimas bastam pra consolar. tudo vai mal. tudo... mas eu não minto. não minto não. estou longe e perto. sinto alegrias. tristezas. e brinco... tudo em volta está deserto. tudo certo. tudo certo como dois e dois são cinco...”
Dois e dois de fato parecem cinco no meio da bagunça que tá a minha cabeça agora. Acho que o final do ano me pegou de jeito. Agora pra valer. De repente me vi dentro do carro ouvindo, de novo, as músicas do Roberto Carlos cantadas pelas melhores cantoras brasileiras. Dali a pouco estava num intenso desabafo na sessão de terapia da semana. Em seguida fui pro shopping que, mesmo lotado, provocou uma imensa sensação de vazio em mim e que me fez sair de lá uma hora depois, completamente zonza. O que mais ou menos salvou o meu dia logo em seguida foi um ótimo café da tarde com uma amiga que fez uma proposta indecente envolvendo uma fotografia totalmente experimental num filme totalmente meu estilo, isso encheu minha cabeça de idéias e planos cinematográficos. Depois, para fazer hora até a reunião da Casa de Teatro, caminhei por uma Independência igualmente lotada, com direito até acidente de carros e motos, novamente me deixando um tanto quanto perdida no meio de um nada dentro de mim. Na volta senti um mal-estar, aquela sensação de desmaio que venho sentido há meses, um cansaço, um calor, vontade de sei lá, fugir pra Cuba. Fiz a reunião, tudo bem. Voltei pra casa e parece que o turbilhão maior é aqui dentro. Não sei. Vim até aqui hoje pensando que eu queria escrever, mas ao mesmo tempo, queria falar pouco, falar quase nada. Falar que a Marina cantando “Como dois e dois” foi a trilha sonora do meu dia. Que a noite chegou e eu deixei sangrar. Afinal, a tendência é algumas lágrimas bastarem para consolar. Tô cansada. Esgotada. Querendo resolver um monte de coisas, mas, parando para pensar, acho que há muito tempo não tô resolvendo é nada. Tô feliz com ela. Tô feliz com esse convite pra uma fotografia do jeito que gosto de fazer, bem maluca. Eu tô muito feliz! Mas eu também tô cansada, entende? Preocupada. Com medo dessa instabilidade de saúde. Com medo dessa profissão doida que eu escolhi. Com medo de nada dar certo. Com medo. E isso não é um sentimento comum a mim. Tô meio perdida. De repente sinto uma vontade de achar um emprego fixo, de voltar a estudar. Tava a fim de investir numa idéia maluca que tive esses tempos de fazer um estudo que consiga, de alguma maneira, juntar Woody Allen, Meryl Streep, Terror e Fotografia. Que bela mistura eu inventei, hein? Que maluquice essa que eu pensei, mas acreditem, esses quatro tópicos tem muito mais em comum do que você imaginam. Já deu pra perceber o quão “perturbada” eu estou. Acho que estou tendo, sei lá, no mínimo uns 30 pensamentos em apenas uma fração de segundos. O trânsito dentro de mim está intenso, tenso e perturbador. Deve ser o final de ano. Tem que ser o final de ano! Pra dar uma aliviada nos meus devaneios quero dizer que nos últimos dias fui ver as mais recentes novidades do cinema: “A rede social” parece muito mais longo do que realmente é, mas um filme muito bem feito, inteligente e interessante; “Um homem misterioso” que mostra uma história estranha, um tanto quanto perdida em alguns pontos, mas ao mesmo tempo intrigante e que traz um Geogre Clooney sombrio, solitário e lindo!; “Enterrado vivo”..............uma porcaria! Prefiro nem comentar..; “A sétima alma” do meu queridíssimo mestre Wes Craven que nos presenteia com um terror no maior estilo anos 80, cheio de jovens malucos, um serial killer que carrega 7 personalidades (almas) que reencarnam de tempos em tempos com a maior sede de sangue, leve e divertido! Agora, no mesmo horário, estão passando três filmes na TV que eu quero muito ver.. ainda não consegui decidir qual vou escolher... A verdade é que não tenho bem certeza se vou conseguir me concentrar... Pra completar, tô com uma dor de garganta chatinha querendo dominar. Tô cansada. de mau humor. triste. Tô insuportável. Acho que preciso parar e pensar um pouco. Com calma. Ficar sozinha. Sair desse turbilhão. Sei lá. Também não sei bem se quero ficar sozinha. Talvez eu preferisse a calmaria dos seus olhos e conforto dos seus braços. “...mas o teu amor me cura. de uma loucura qualquer. é encostar no teu peito e se isso for algum defeito por mim tudo bem...”
Eu só queria parar um pouquinho. E então olhar para o lado e ver vc ali, comigo, pertinho. Só isso. Isso me basta.
Fui tentar ver algum desses filmes.
Beijos e até breve.
Pam
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