Graças ao sempre ótimo Festival de Verão de Cinema em Porto Alegre, tive o imenso prazer de poder assistir a primeira exibição do novo filme do Woody Allen mais de um mês antes da data marcada para estréia. “Tudo pode dar certo” é um arraso! Um ótimo e encantador filme do início ao fim.
Não quero dar muitos detalhes, afinal o filme ainda nem estreiou e eu imagino que algumas pessoas gostarão (e, aliás, devem ir até o cinema assistir), por isso não quero contar nada de muito detalhado.
Woody Allen acerta ao voltar a filmar em sua amada e bela Nova York, não aquela cidade perfeita, mas a NY para todos, com todos os gostos de comida, sem preconceitos, com apartamentos grandes e rústicos, cheia de gênios, filósofos, artistas e uma galera vindo do interior atrás de um sonho. Meu diretor favorito desde que comecei a estudar Cinema e aquele que venho me aprofundando há quase dois anos, assistindo aos filmes, lendo os livros, pesquisando histórias, Woody Allen trás de volta o melhor de seu humor pessimista e absurdamente e inevitavelmente engraçado. Eu gargalhava no cinema ontem! Ok, eu costumo rir bastante então não sou muito parâmetro, mas aí é que está o detalhe... a sala de cinema não era muito grande, mas estava cheia e sim, todo mundo gargalhava! O tom exato da comédia é o que guia a história toda. O filme conta com artifícios tais como o personagem principal conversar com a câmera, personagens caricatos e completamente inusitados, piadas inteligentes e de tiradas perfeitas. É impossível não perceber o Woody em cada segundo do filme, desde os créditos clássicos dos filmes dele, até as músicas, o tom neurótico, alguns flashbacks sutis de produções anteriores, situações irreais (mas que, na verdade, sabemos que acontecem por aí, mas só ele é que conta com toda essa naturalidade), a sempre simples decupagem, mas que funciona em cada cena do jeitinho que ele sempre acerta.
O filme demorou mais de um ano para chegar ao Brasil e eu já havia lido algumas críticas sobre o trabalho. Muito do que disseram é verdade. O personagem principal, Boris, interpretado pelo ótimo Larry David, é o clássico personagem inteligente, neurótico, hipocondríaco e charmoso de vários outros filmes do Woody. Muitos disseram que Larry estava apenas substituindo o Woody que sempre interpretava quando o papel era assim. Realmente, tal afirmação é correta. O personagem é bastante semelhante nas características, mas não podemos deixar de ficar incrivelmente felizes com a engraçadíssima interpretação de Larry, é bárbaro de ver!
Mesmo sendo fã de todos os filmes do diretor, preciso admitir que o filme tem algumas falhas técnicas, básicas, tais como boom (microfone) em quadro e alguns planos fora de foco, mas nada que prejudique o filme, muito pelo contrario. Woody sempre foi conhecido por fazer filmes com fotografias pouco elaboradas e sem grandes preocupações técnicas, assim como sempre se utilizou de decupagens simples na escolha dos planos. O que dá o tom de todos os filmes dele e acontece também em “Tudo pode dar certo” é a escolha perfeita das palavras, a história envolvente de todos os personagens e as atuações marcantes. A gente nem se dá conta dos outros probleminhas porque o roteiro é tão incrível e perfeito nos detalhes que a gente se entrega a história e viaja de cabeça no filme. Eu sou fã de carteirinha de todos os filmes do Woody e, como futura cineasta que provavelmente vai tirar registro de roteirista primeiramente, eu sou fã de filmes que tenham o roteiro como foco central e não efeitos especiais e altas tecnologias. Sou fã de boas e elaboradas fotografias e decupagens, mas sou adoradora inveterada de um bom roteiro! E o Woody me ganhou desde o princípio com seus muitos diálogos e personagens excêntricos e inesquecíveis.
Não quero entrar em detalhes do filme, mas dou uma dica, atenção ao personagem principal, Boris e aos pais da bela Melody (a jovem que se apaixona por Boris interpretada por Evan Rachel Wood), quase morri rindo nas cenas da mãe dela. Todo o filme é um barato, mas algumas partes são sensacionais. Não percam! A data de estréia oficial está marcada para o dia 30 de abril, já marquem em seus calendários, vale muito a pena!
Além de ser um filme delicioso de ver por todos os seus elementos, roteiro, elenco e a bela NY, ficamos com a bela mensagem na cabeça, apesar de todos os problemas, todos os pensamentos, filosofias, dúvidas, encontros e desencontros, o melhor é saber que no final, tudo pode dar certo!
Não pude cumprir o meu combinado de falar sobre um filme de terror. Seria impossível ir no cinema ver Woody Allen e não postar sobre ele. Vou ver se encontro algum bom filme de terror para comentar, se não vou deixando para a hora que aparecer algum interessante. Por ora vou comentando os filmes que eu for vendo por aí.
Beijos e beijos!
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