Ensaio Book Ana diária 1

Ensaio Book Ana diária 1
31 de outubro de 2012
"I just wanna be free. I just wanna be me."

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Destino

“Era uma noite fria de inverno. *Maria sabia que aquele seria um dia diferente dos últimos. Havia passado algum tempo desde a última vez que se sentira do jeito que estava se sentindo naquela noite. Ela sabia o motivo de tamanho nervoso, seu coração estava mais acelerado. Ela estava com um pouco de medo, mas ao mesmo tempo queria muito o reencontro. Apesar do frio e de saber que teria que trabalhar, Maria se apressou o máximo que pode para chegar mais cedo ao seu destino, ela não foi muito bem sucedida, pois chegou em cima da hora, mas ainda tinha tempo para algo acontecer. Não aconteceu. Maria conversou com alguns amigos, organizou seu trabalho, recepcionou as pessoas, deixou tudo em ordem e pronto para começar. Ela não estava satisfeita em ter que começar as atividades da noite sem antes encontrar o motivo pelo qual seu coração batia mais forte naquela noite. Maria procurou tarefas para fazer e, mesmo que elas não fossem propriamente necessárias, ela correu para que todas as coisas fossem feitas. Subia e descia escadas. Tomava água. Procurava Fulano, Ciclano, Beltrano. Ia ao banheiro. Fazia isso. Fazia aquilo. E nada. Maria parou, pensou, se sentiu uma adolescente boba e resolveu sossegar, de que adiantaria tudo aquilo? "Se o destino quisesse, ele daria um jeito de cruzar nossos caminhos", pensou ela. Maria voltou para sua sala. No início ficou difícil aquietar os pensamentos, ela até escreveu algumas poucas linhas de palavras soltas em seu caderno de anotações. Ela parava. Olhar vazio. Cabeça um turbilhão. Coração ainda acelerado. Maria só conseguia pensar o quão bobo era ela ficar daquela maneira. Por que tanta ansiedade? Por que tanto nervoso? Por que tanta inquietação? Maria fechou os olhos por alguns segundos, respirou fundo e passou a se concentrar no trabalho. A noite estava boa, assuntos interessantes, materiais de outros países, idéias brotando na cabeça. De repente Maria sossegou. Ela concentrou seu pensamento nos planos de trabalho e conseguiu se distrair do nervoso, do frio, de tudo. Maria era responsável pelo bem estar de uma convidada e, na hora de um breve intervalo, foi até a lancheria mais próxima buscar algo quente para a sua convidada tomar. Maria voltou a ficar ansiosa. Seria aquele o momento escolhido pelo destino? Maria desceu as escadas, caminhou um pouco pelo frio e chegou na lancheria. Pediu um leite quente para a convidada e um chá quente para ela. Pegou apenas o leite. Enquanto Maria caminhava de volta para a sala pensou que talvez não fosse para acontecer o tal reencontro. "Se fosse para acontecer, já teria acontecido", pensava ela. Em meio a um desconforto, uma ansiedade e pitadas de uma profunda tristeza, Maria sossegou novamente e se conformou com o fato de que toda aquela vontade não seria saciada. Maria entrou na sala, entregou o leite à sua convidada e pediu licença para sair durante alguns instantes, colocando-se a disposição para qualquer coisa. Lentamente Maria desceu novamente as escadas, caminhou por entre as muitas pessoas que agora ali estavam, entrou na lancheria e pediu seu chá. De repente Maria percebeu que o local estava completamente lotado, muitas pessoas tentando fugir do frio, todo mundo conversando, comendo, bebendo, rindo, muita gente. Maria estava esperando seu chá. De repente, no meio de toda aquela bagunça, como se o tempo parasse, o som silenciasse e todas as pessoas sumissem, Maria sentiu como se alguém a estivesse olhando. Lentamente Maria virou-se e então, por alguns segundos, o mundo parou. Lá estava *Ana, no início com uma expressão de quem procurava por alguma pessoa, mas ao mesmo tempo não esperava encontrá-la. Ana não estava reconhecendo Maria, apenas a olhava imaginando que poderia ser ela. Quando Maria virou-se, Ana surpreendeu-se. Maria sentiu seu coração disparar, faltou-lhe a respiração por alguns segundos, ela olhou para Ana e sorriu sinceramente. Ana sorriu de volta, satisfeita por ser realmente Maria a pessoa para quem ela olhava. Maria voltou a se virar para o balcão e então a atendente entregou seu chá. De repente todo o barulho do local voltou e as pessoas todas continuaram a fazer o que estavam fazendo. Maria só conseguia pensar que o destino havia realmente brincado com ela, quando ela já tinha se convencido que não aconteceria nenhum encontro ou reencontro, bum! Lá estava ele, o destino, colocando as situações mais inusitadas no caminho das duas. Maria foi mexendo seu chá, enquanto o coração disparava e os pensamentos milhares tomavam conta de sua cabeça. Em alguns segundos, Ana estava ao lado de Maria que, distraída não viu o tempo passar e surpreendeu-se com a presença tão rápida próxima a ela. As duas, timidamente, um pouco sem saber como agir, se abraçaram rapidamente. Alguns breves segundos de um silêncio tranqüilo e logo em seguida o assunto fluiu. Maria e Ana conversaram sobre várias coisas, uma perguntava pra outra as coisas que não sabiam sobre os últimos meses. É certo que em alguns momentos foi um pouco estranho para as duas, mas a verdade é que elas queriam estar perto uma da outra e, por mais que quisessem negar, era fato que elas se entendem, se gostam, se dão bem e querem ficar perto. O papo foi bom. As duas caminharam juntas. Cada uma tomou seu rumo. Maria voltou pra sua sala, resolveu algumas coisas e em seguida precisou descer para resolver outras. De repente mais um encontro, Maria se depara com Ana em um dos corredores. Ana desvia um pouco seu caminho e encontra Maria nas escadas, as duas trocam mais algumas palavras, mais alguns olhares, um muito de silêncio sincero, saudade talvez. Maria ficou feliz por ver Ana. Ana ficou feliz por ver Maria. Cada uma seguiu o seu caminho novamente. Encontros. Reencontros. Daqui pra frente, só o destino sabe o que pode acontecer.”

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